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Os erros mais comuns em petições geradas por IA

Por Fábio Prado · OAB/GO 29.242

Nenhum desses erros é exclusivo de IA — advogados também erram sozinhos. A diferença é que, numa peça gerada por IA sem camada de conferência, esses erros tendem a se repetir num padrão bem específico, porque a máquina erra de um jeito consistente com sua própria lógica.

Os erros mais comuns

  • Citação de jurisprudência inexistente ou desatualizada: o erro mais conhecido e mais arriscado, por citar de memória em vez de conferir na fonte.
  • Fato afirmado que não está nos autos: a IA "completa" a narrativa de forma plausível, mesmo sem base documental para aquele trecho.
  • Número de processo ou dígito verificador errado: um erro de digitação ou de leitura que passa despercebido numa revisão rápida.
  • Partes trocadas ou mal qualificadas: especialmente em casos com múltiplas partes ou nomes parecidos.
  • Campos genéricos deixados no texto: placeholders ou trechos vagos que a IA não personalizou para o caso específico.
  • Formatação fora do timbre ou sem numeração: peças que saem como texto solto, exigindo trabalho manual de formatação antes do protocolo.
  • Marcas visíveis de texto gerado por IA: linguagem genérica demais, repetição de estrutura, ausência de detalhes específicos do caso.

Por que esses erros passam despercebidos

Três fatores se combinam: pressa (a peça "parece" pronta e a tentação é protocolar direto), confiança excessiva na ferramenta (assumir que, por ter saído bem escrita, também está factualmente correta) e ausência de uma camada de conferência separada da redação.

Como cada um se evita

Praticamente todos esses erros são pegos por um processo de conferência sistemático — o mesmo checklist que vale para qualquer petição, aplicado com disciplina: identificação do processo, partes, fatos contra os autos, citações na fonte e formalidades de protocolo.

Um erro isolado não invalida o uso de IA na redação — o que importa é ter um processo de conferência que pegue o erro antes do protocolo, não depois.

Perguntas frequentes

Um erro de IA na peça pode gerar problema disciplinar?

Pode, dependendo da gravidade do erro e de precedentes já registrados em tribunais sobre o tema, especialmente em casos de citação de jurisprudência inexistente.

Como identificar "marcas de IA" no texto antes de protocolar?

Linguagem genérica demais, repetição de estrutura entre parágrafos e ausência de detalhes específicos do caso são os sinais mais comuns.

Todo erro de IA em petição é alucinação de citação?

Não — também são comuns erros de dado (partes, número do processo) e de formatação, que não têm relação com jurisprudência inventada.

Uma ferramenta com auditoria embutida elimina todos esses erros?

Reduz bastante a chance de cada um deles, mas não elimina 100% — a revisão final antes do protocolo continua sendo do advogado que assina.

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